A APECOM não pode deixar de manifestar publicamente o seu total desacordo e repúdio com o serviço de assessoria de imprensa por “pacotes”, recentemente anunciado pro-activamente por uma empresa que não é sua associada, na edição on-line da revista Meios & Publicidade de dia 18 de Setembro.
Na opinião da Direcção da Associação Portuguesa das Empresas de Consultoria de Comunicação e Relações Públicas, é importante alertar o mercado para o facto de se tratar de um serviço despersonalizado que poderá mesmo ser considerado enganoso, na medida em que este tipo de serviços assentam habitualmente num e-mail SPAM enviado para um conjunto alargado e indiscriminado de jornalistas muitos dos quais poderão não ter qualquer tipo de interesse nesse tipo de informação.
Acresce que não existem nem podem existir quaisquer garantias de qualidade na prestação deste tipo de serviços “empacotados”. De facto, a divulgação massificada e despersonalizada de informação junto dos meios de comunicação e dos jornalistas não contribui para a dignificação do sector das consultoras de comunicação.
Quando uma consultora executa um trabalho de assessoria de imprensa, preocupa-se a priori com as mensagens a veicular, a sua adequação aos públicos a atingir e a sua própria consistência pelo que, para além de outras tarefas prévias e posteriores, executa uma cuidada selecção de um conjunto de meios e jornalistas que tenham interesse directo no assunto em questão.
Estas são (ou devem ser) algumas das importantes mais-valias que os clientes obtêm quando recorrem à assessoria mediática externa. E não é possível prestar este tipo de serviços em “pacote” e muito menos a preços tão baixos como os anunciados neste caso.
Comoditizar a comunicação é altamente desaconselhável, é aquilo que não se deve fazer para garantir a qualidade, como bem sabem todos os profissionais do sector, sejam eles comunicadores empresariais ou mesmo jornalistas. Pelo que urge chamar a atenção dos meios empresariais para que este género de ofertas ao mercado empresarial não podem deixar de ser qualificadas de “gato por lebre”. Por outro lado, infelizmente os media e os jornalistas já recebem centenas de e-mails de empresas e de pretensas agências de comunicação que pura e simplesmente são obrigados a ignorar.
Não alertar o mercado para este facto é deixar que agentes não qualificados inundem ainda mais as redacções com pretensos Comunicados de Imprensa muitas vezes sem qualquer tipo de interesse noticioso ou informativo, situação que prejudica nitidamente a imagem de todo o sector, contribuindo para uma errada percepção da actividade da Consultoria de Comunicação e dos serviços de Assessoria de Imprensa junto do mercado empresarial e dos profissionais da comunicação social..
